Jornal do Brasil
20/04/2009
Divergência entre EUA e membros da Alba sobre Cuba impediu acordo quanto ao texto final
Depois de três dias, a 5ª Cúpula das Américas terminou ontem em Porto de Espanha, capital de Trinidad e Tobago, sem consenso sobre a declaração final. Divergências entre posições dos EUA e dos países da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba) sobre o fim do embargo a Cuba e o combate à crise econômica impediu acordo sobre o texto.
– A declaração em si não tem a completa aprovação dos 34 países presentes. Alguns deles manifestaram suas reservas – disse o premier Trinidad e Tobago, Patrick Manning, no encerramento.
O premier destacou como pontos altos do encontro o momento inicial em que o presidente americano, Barack Obama, falou de "uma nova direção e uma nova visão dos Estados Unidos" ao continente, o que foi "refletido em uma declaração equivalente do presidente da Venezuela, Hugo Chávez".
A visão de Manning foi compartilhada pelos presidentes da Bolívia, Evo Morales, e da Nicarágua, Daniel Ortega, em prol de um novo espírito de cooperação.
Antes mesmo do início da cúpula, o presidente Hugo Chávez já havia dito que países da Alba não assinariam a declaração. O grupo considerou que o documento "não dá resposta à crise econômica global" e que Cuba foi "injustificadamente" excluída.
Os membros da Alba também defendem a volta de Cuba à Organização dos Estados Americanos (OEA), da qual foi excluída em 1962, ano em que o embargo foi imposto à ilha.
Ao final do encontro, Obama declarou não ter concordado com tudo que foi dito na cúpula pelos líderes de outros países, mas ressaltou que vê chances de se fazer progresso frente a "debates e ideologias velhos que dominaram e distorceram as discussões por tempo demais".
O líder ressaltou que questões como "liberdade de expressão e presos políticos [em Cuba] (...) não podem ser varridas para o lado".
– Todos líderes presentes aqui foram eleitos democraticamente. Isso ainda não acontece em Cuba. Fidel dizer que temos de discutir não apenas o embargo, mas direitos humanos é bom sinal – acrescentou.
Avanços
Apesar da falta de acordo, a reunião serviu para que Obama se aproximasse de países com os quais as relações estavam abaladas. Na sexta-feira, ele apertou as mãos de Chávez, Ortega e Morales.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que ficou positivamente surpreso com o resultado do encontro, em que Obama "deve ter tomado um banho de América Latina" e houve evolução nas relações dos EUA com o continente.
Além da resistência da Alba, questões polêmicas, como produção de biocombustíveis, colocaram em choque posições de países como Brasil – entusiasta da produção energética a partir deste modelo – e Bolívia – que acredita na escassez de alimentos como consequência.
Depois de três dias, a 5ª Cúpula das Américas terminou ontem em Porto de Espanha, capital de Trinidad e Tobago, sem consenso sobre a declaração final. Divergências entre posições dos EUA e dos países da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba) sobre o fim do embargo a Cuba e o combate à crise econômica impediu acordo sobre o texto.
– A declaração em si não tem a completa aprovação dos 34 países presentes. Alguns deles manifestaram suas reservas – disse o premier Trinidad e Tobago, Patrick Manning, no encerramento.
O premier destacou como pontos altos do encontro o momento inicial em que o presidente americano, Barack Obama, falou de "uma nova direção e uma nova visão dos Estados Unidos" ao continente, o que foi "refletido em uma declaração equivalente do presidente da Venezuela, Hugo Chávez".
A visão de Manning foi compartilhada pelos presidentes da Bolívia, Evo Morales, e da Nicarágua, Daniel Ortega, em prol de um novo espírito de cooperação.
Antes mesmo do início da cúpula, o presidente Hugo Chávez já havia dito que países da Alba não assinariam a declaração. O grupo considerou que o documento "não dá resposta à crise econômica global" e que Cuba foi "injustificadamente" excluída.
Os membros da Alba também defendem a volta de Cuba à Organização dos Estados Americanos (OEA), da qual foi excluída em 1962, ano em que o embargo foi imposto à ilha.
Ao final do encontro, Obama declarou não ter concordado com tudo que foi dito na cúpula pelos líderes de outros países, mas ressaltou que vê chances de se fazer progresso frente a "debates e ideologias velhos que dominaram e distorceram as discussões por tempo demais".
O líder ressaltou que questões como "liberdade de expressão e presos políticos [em Cuba] (...) não podem ser varridas para o lado".
– Todos líderes presentes aqui foram eleitos democraticamente. Isso ainda não acontece em Cuba. Fidel dizer que temos de discutir não apenas o embargo, mas direitos humanos é bom sinal – acrescentou.
Avanços
Apesar da falta de acordo, a reunião serviu para que Obama se aproximasse de países com os quais as relações estavam abaladas. Na sexta-feira, ele apertou as mãos de Chávez, Ortega e Morales.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que ficou positivamente surpreso com o resultado do encontro, em que Obama "deve ter tomado um banho de América Latina" e houve evolução nas relações dos EUA com o continente.
Além da resistência da Alba, questões polêmicas, como produção de biocombustíveis, colocaram em choque posições de países como Brasil – entusiasta da produção energética a partir deste modelo – e Bolívia – que acredita na escassez de alimentos como consequência.
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