terça-feira, 2 de agosto de 2011

Noruega: Maioria aprova leis mais rigorosas

Correio Braziliense

02/08/2011

Passados 10 dias do massacre de Oslo, onde o suposto extremista de direita Anders Behring Breivik matou 77 pessoas, praticamente dois terços dos noruegueses se mostram favoráveis à adoção de penas mais duras para crimes graves. Em pesquisa publicada ontem pelo jornal Verdens Gang, 65,5% dos 1.283 entrevistados classificaram como “muito brandas” as sentenças, e apenas 23,8% se as consideraram “adequadas”. Pelo assassinato múltiplo, Breivik pode pegar até 21 anos de prisão. Se for condenado por crimes contra a humanidade, a pena pode chegar a 30 anos.


No esforço de demonstrar que os atentados de 22 de julho não abalaram os valores noruegueses, o primeiro-ministro Jens Soltenberg elogiou uma vez mais o comportamento da população, durante uma solenidade no parlamento. Na presença do rei Harald V e do príncipe herdeiro, Haakon, o premiê agradeceu aos noruegueses que, segundo ele, “se mostraram responsáveis quando era necessário, conservaram a dignidade, escolheram a democracia”. Após um minuto de silêncio, o presidente do parlamento, Terje Andersen, pronunciou um por um o nome das 77 vítimas de Breivik, que explodiu um carro-bomba no centro da capital e depois fuzilou participantes de um acampamento juvenil de verão do Partido Trabalhista (governista).A imprensa norueguesa publicou a carta aberta de um dos sobreviventes do tiroteio na Ilha de Utoya, onde os jovens estavam reunidos. Ivar Benjamin Oesteboe, 16 anos, diz no texto que o autor da matança “fracassou” no propósito de fomentar o medo e o ódio no país. “Talvez ele possa pensar que saiu ganhando. Matando meus amigos e companheiros, talvez acreditasse que destruiria o Partido Trabalhista e as pessoas que, em todo o mundo, acreditam numa sociedade multicultural”, escreveu o jovem. “Querido Anders Behring Breivik: saiba que fracassou”, desafia Ivar. “Não respondemos ao mal com o mal, como (você) queria. Combatemos o mal com o bem. E venceremos.”ExigênciasO autor do duplo massacre, que está preso, já foi ouvido longamente pela polícia, por duas vezes. No interrogatório mais recente, na sexta-feira, ele teria revelado, segundo seu advogado, Geir Lippestad, que “ligou para a polícia de Utoya”. Se confirmada, a ligação poderia explicar alguns testemunhos de sobreviventes da matança, que disseram ter visto Breivik conversando ao telefone ou por um walkie-talkie. A polícia não comentou a informação, mas anunciou que todos os telefones celulares, câmeras fotográficas e laptops encontrados na ilha serão utilizados durante as investigações, na tentativa de reconstituir com exatidão as ações do assassino, que confessou os ataques e afirmou ter agido sozinho.No domingo, a agência pública de notícias NRK informou que, durante o mesmo depoimento, o autor da chacina teria exigido que o governo renunciasse e o rei Harald V abdicasse do trono, como condição para revelar mais detalhes sobre o ataque. As exigências teriam sido feitas no início do interrogatório, que durou 10 horas, e também incluiriam a nomeação do assassino como comandante do Exército. A defesa de Breivik estuda alegar insanidade mental como atenuante para os crimes, de maneira a reduzir a sentença e obter a internação do assassino em um hospital psiquiátrico.

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